Biópsia de próstata guiada por ultrassom
A biópsia de próstata é um exame fundamental no diagnóstico do câncer de próstata. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo que permite a retirada de pequenos fragmentos da glândula para análise laboratorial, com o objetivo de confirmar (ou descartar) a presença de células malignas. Ela é recomendada quando exames prévios apontam alterações suspeitas, como elevação do PSA (Antígeno Prostático Específico), presença de nódulos no toque retal ou lesões suspeitas na ressonância magnética.
A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga e ao redor da uretra. Justamente por essa anatomia, qualquer alteração significativa pode comprometer a função urinária e até a sexual. Por isso, o diagnóstico preciso é essencial para garantir um tratamento eficiente e individualizado. A biópsia pode ser realizada por dois acessos principais: transretal e transperineal, ambos guiados por ultrassonografia, com ou sem o uso de tecnologia de fusão com ressonância magnética.
Diferenças entre os tipos de biópsia
A biópsia transretal é a forma mais tradicional e amplamente utilizada no Brasil. O acesso é feito pelo reto, com o auxílio de uma sonda de ultrassom que orienta a introdução da agulha até a próstata. Embora seja um procedimento rápido e acessível, o fato da agulha atravessar uma região naturalmente colonizada por bactérias aumenta o risco de infecções, como prostatite ou, em casos mais graves, sepse.
Já a biópsia transperineal representa uma abordagem mais moderna e segura. O acesso à próstata é feito através do períneo — área entre o escroto e o ânus — evitando o contato com o intestino. Essa via tem se mostrado altamente eficaz para reduzir complicações infecciosas, especialmente quando associada à técnica de fusão de imagens com ressonância magnética. Em casos de anatomia prostática desfavorável ou quando há lesões localizadas em áreas de difícil acesso, a abordagem transperineal também permite uma visualização mais precisa e segura.
O papel da fusão de imagens na precisão diagnóstica
A tecnologia de fusão de imagens entre a ressonância magnética e o ultrassom revoluciona a precisão da biópsia prostática. Enquanto o ultrassom guia o exame em tempo real, a ressonância permite localizar previamente áreas de maior risco, que podem não ser visíveis nem mesmo ao toque. A sobreposição dessas imagens melhora consideravelmente a acurácia da amostragem, permitindo ao médico coletar fragmentos diretamente das regiões mais suspeitas.
Esse recurso é especialmente útil em casos em que os níveis de PSA estão elevados, mas o toque retal e o ultrassom convencional não detectam alterações claras. A biópsia com fusão reduz o número de coletas desnecessárias e diminui a chance de subdiagnóstico, ou seja, de deixar passar tumores significativos.
Como é feito o procedimento?
O exame é realizado em ambiente hospitalar ou em clínicas especializadas. Pode ser feito com anestesia local, mas em muitos casos utiliza-se sedação para garantir maior conforto. Com o paciente em posição apropriada, o médico insere uma sonda de ultrassom no reto (ou posiciona o transdutor no períneo) para visualizar a próstata em tempo real. A partir daí, pequenas amostras de tecido são coletadas com uma agulha fina.
O procedimento dura entre 20 a 40 minutos. Em geral, são retiradas de 10 a 18 amostras da glândula, dependendo do tamanho da próstata e da técnica utilizada. Após a coleta, os fragmentos são enviados ao laboratório de anatomia patológica, onde serão avaliados para identificar ou descartar a presença de células malignas e, se for o caso, determinar o Gleason Score — sistema que classifica o grau de agressividade do câncer.
Pós-procedimento e cuidados
Após a biópsia, é comum que o paciente apresente leves desconfortos, como dor local, presença de sangue na urina, no sêmen ou nas fezes, e leve ardência ao urinar — esses sintomas geralmente desaparecem em poucos dias. Em casos de biópsia transretal, pode ser prescrito um antibiótico preventivo para reduzir o risco de infecção. A maioria dos pacientes pode retomar suas atividades leves no dia seguinte, mas esforços físicos devem ser evitados por até 72 horas.
A presença de febre, dor intensa ou sangramento persistente exige avaliação médica imediata. Em procedimentos mais complexos, ou em pacientes com doenças associadas, a recuperação pode exigir cuidados adicionais.
Em resumo, a biópsia de próstata guiada por ultrassom é um exame seguro, eficaz e essencial no diagnóstico precoce do câncer de próstata. A escolha entre a via transretal ou transperineal, com ou sem fusão de imagens, deve ser feita por um urologista experiente, considerando o histórico clínico e os resultados dos exames anteriores.
Se você apresenta alterações no PSA, desconforto urinário ou histórico familiar de câncer de próstata, converse com seu urologista. O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento e permite definir a melhor conduta para cada caso.
Sua saúde começa com um cuidado preventivo. Agende sua avaliação e tire suas dúvidas!