Nefrolitotomia percutânea
A nefrolitotomia percutânea (ou nefrolitotripsia percutânea – NLPC) é considerada o método padrão-ouro para o tratamento de cálculos renais de grande volume, especialmente aqueles com mais de 2 cm de diâmetro, os chamados cálculos complexos ou coraliformes. Trata-se de uma abordagem cirúrgica minimamente invasiva que permite a remoção precisa das pedras localizadas dentro do rim, com segurança e alto índice de sucesso clínico.
A NLPC é uma técnica cirúrgica urológica realizada por meio de uma pequena incisão na pele, geralmente na região lombar. Através desse acesso, o cirurgião consegue alcançar diretamente o interior do rim, onde estão localizados os cálculos, fragmentá-los com equipamentos especializados (como laser ou ultrassom) e removê-los com segurança.
Este procedimento é especialmente indicado quando:
- Os cálculos renais são volumosos (maiores que 20 mm)
- Estão em localizações anatômicas de difícil acesso por outros métodos
- Há falha em tratamentos anteriores, como litotripsia extracorpórea (LECO) ou ureteroscopia
- Existem cálculos coraliformes, que ocupam amplamente os cálices renais
Como é realizada a cirurgia?
A nefrolitotomia percutânea é realizada em centro cirúrgico, sob anestesia geral, com os seguintes passos principais:
- Mapeamento do cálculo: O procedimento inicia com a introdução de contraste via cateter ureteral para melhor visualização do sistema coletor renal.
- Acesso ao rim: Utilizando imagens de radioscopia em tempo real, o urologista realiza a punção percutânea diretamente no rim, guiando-se até o local exato do cálculo.
- Dilatação do trajeto: Após a punção, o canal de acesso é dilatado para permitir a passagem dos instrumentos cirúrgicos.
- Introdução do nefroscópio: Um endoscópio especializado (nefroscópio) é introduzido até o interior do rim, possibilitando a visualização direta da pedra.
- Fragmentação e remoção: O cálculo é fragmentado com laser, ultrassom ou litotriptor pneumático e os fragmentos são aspirados ou retirados com pinças.
Colocação de drenos: Em muitos casos, um cateter duplo J e um dreno temporário podem ser deixados para facilitar a cicatrização e evitar obstruções no pós-operatório.
Quando não é indicada?
A NLPC pode não ser indicada em casos como:
- Pacientes com distúrbios graves de coagulação não controlados
- Presença de sepse urinária ativa
- Cálculos muito pequenos, passíveis de tratamento conservador
- Alterações anatômicas renais incompatíveis com a abordagem percutânea
Pós-operatório e cuidados
Após a nefrolitotomia percutânea, é comum que o paciente permaneça internado por 1 a 3 dias. O pós-operatório pode incluir:
- Dor leve no local da punção, controlada com analgésicos
- Presença de sangue na urina, com regressão espontânea
- Uso de antibióticos e medicamentos para dor
- Hidratação vigorosa para facilitar a eliminação de resíduos
O cateter duplo J, se colocado, será removido posteriormente em consultório, geralmente por meio de cistoscopia simples.
Durante o período de recuperação, o paciente deve evitar atividades físicas intensas, manter a hidratação elevada e seguir rigorosamente as orientações médicas.
NLPC ou ureteroscopia: qual escolher?
Embora ambas as técnicas sejam minimamente invasivas, a principal diferença entre elas está no tamanho e na localização dos cálculos. A ureteroscopia com laser é indicada para cálculos menores, de até 2 cm, localizados nos ureteres ou nos cálices acessíveis. Já a NLPC é a escolha de excelência para cálculos renais maiores, múltiplos ou de anatomia complexa.
Importância da avaliação individualizada
Cada caso de nefrolitíase é único. Por isso, a definição da melhor abordagem — conservadora ou cirúrgica — deve ser feita por um urologista com experiência em doenças do trato urinário. A escolha entre LECO, ureteroscopia ou NLPC depende de fatores como tamanho, número e localização dos cálculos, anatomia renal, presença de infecção e comorbidades do paciente.
A nefrolitotomia percutânea é uma técnica moderna, segura e com resultados eficazes no tratamento de cálculos renais complexos. Se você sofre com pedras nos rins recorrentes ou já foi diagnosticado com cálculos volumosos, não adie o cuidado com sua saúde.
Hoje em dia, discute-se que haveria beneficio do uso da ureteroscopia flexivel mesmo nos calculos urinarios maiores. Um dos meus artigos trata especificamente sobre esse assunto (link aqui. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38426420/ https://www.minervamedica.it/en/journals/minerva-urology-nephrology/article.php?cod=R19Y2024N01A0031 ). Para calculos até 3 cm, parece ser melhor realizar 2 sessoes de ureterorrenolitotripsia flexivel do que uma nefrolitotripsia percutanea.
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